Doenças reveladas por DNA antigo
A derrota de Napoleão Bonaparte na Rússia em 1812 foi influenciada por duas doenças mortais surpreendentes, de acordo com pesquisas recentes. Bactérias causadoras de enfermidades foram descobertas nos dentes de soldados napoleônicos.
Esses achados ajudam a entender melhor um dos episódios mais catastróficos da história militar.
Contexto histórico da campanha
Napoleão invadiu a Rússia com um dos maiores exércitos já reunidos, a chamada Grande Armée, composta por cerca de meio milhão de homens. Quando forçado a recuar, condições invernais rigorosas, fome e doenças dizimaram os invasores.
Historiadores estimam que aproximadamente 300 mil desses homens morreram durante a campanha.
Evidências anteriores de doenças
Relatos históricos, estudos iniciais de DNA e restos de piolhos encontrados nos soldados sustentam a ideia de que tifo e febre das trincheiras contribuíram para a queda do exército.
No entanto, um debate mais amplo sobre o papel das doenças na retirada francesa ainda persiste entre especialistas.
Metodologia inovadora na pesquisa
Rémi Barbieri, pesquisador de pós-doutorado no Instituto de Genômica da Universidade de Tartu, na Estônia, está entre os cientistas envolvidos no estudo. Ele destaca que havia toda uma gama de doenças afetando essas pessoas.
A equipe de pesquisa inclui Michel Signoli, da Universidade Aix-Marseille, que contribuiu com a análise de restos humanos, como o crânio de um soldado do exército de Napoleão.
Processo de análise genética
- A equipe abriu os dentes dos soldados para acessar o material interno.
- Colocaram a polpa dental raspada em uma máquina de sequenciamento de DNA.
- Uma vez sequenciado, os cientistas classificaram os resultados de DNA em busca de bactérias causadoras de doenças.
- Compararam o DNA suspeito de patógenos com sequências genômicas conhecidas.
- Associaram o DNA às duas bactérias identificadas, confirmando sua presença de forma precisa.
Impacto nas interpretações históricas
Apenas lendo relatos históricos, era impossível suspeitar desses dois patógenos, segundo os pesquisadores. Ao desenvolver essa nova metodologia, eles conseguiram identificar as bactérias a partir de pequenos fragmentos de DNA.
Isso abre novas possibilidades para investigar eventos históricos por meio de evidências genéticas.
Futuras direções da pesquisa
Olhando para o futuro, os pesquisadores planejam continuar descobrindo o papel que os patógenos desempenharam na história, embora em locais diferentes.
Enquanto um dos cientistas, Rascovan, se concentrará em doenças infecciosas nas Américas, Barbieri continuará focando na história europeia.
Contribuição da Scientific American
A Scientific American, que atua como defensora da ciência e da indústria há 180 anos, tem acompanhado descobertas similares. Esses avanços ressaltam como a ciência moderna pode iluminar capítulos obscuros do passado.





